segunda-feira

Diga que não estou!

Enquanto minha companheira de casa estuda piano e voz, penso nos livros que quereria estar lendo. A porta entreaberta me permite partilhar, além das notas errantes, do tilintar das gotinhas de chuva que escorrem alegremente da bananeira do quintal. Algumas explodem na calha e viram outras muitas gotinhas ainda menores. Concluí que quando tenho um encontro espiritual muito feliz, é um pouco isso o que me acontece.
O quarto tem uma alegria e um silêncio perturbadores, e a acolhida do cobertor macio cor-de-cenoura aliado ao chá e ao banho bem quente aliviam minha febre quase por completo.
O cheiro é de lavanda e as fotos são todas sorridas ou pintadas do azul do mar ou do céu, à exceção daquela em que a tarde caía branca no interior de Minas Gerais. Lembrei até do sabor, da textura, da fumacinha quente daquele pão de queijo e do amparo que recebi daquela gente.
É a primeira vez que digo com propriedade: "Estou em casa! Em- ca-sa."
Poderia estar contente em tantos outros lugares hoje... Mas é bom saber que quando estiver triste, estarei aqui.

Um comentário:

Raphael Lima disse...

Que bom. Achei tuas palavras.
Até!