O post anterior é meio mentira.
Quem fez a pergunta estúpida fui eu, e foi ao telefone... Confesso, confesso!
Não é sem frequência que sinto tanto controle sobre minhas ações quanto uma porta.
... Mas ainda há tempo!
E aí, você pensa em mim? De quanto em quanto tempo? Pergunto porque você, misteriosamente, me é uma pessoa cara; se pensa, isso lhe traz uma sensação trágica ou cômica? Ou você pensa tão somente por ter uma memória fantástica? Você já resolveu lavar os cabelos com xampú? Continua fumando aquele cigarro de palha mais fedido que o meu? Você virou fumante de verdade, né? Que teimosia! Eu avisei!
Você vem em casa de verdade? Mas por que cargas d'água você disse que quer vir em casa se eu jamais convidei? Por que não vem logo? Por que não nos faz o favor de não vir nunca?
O pior de tudo é que eu sei que você vem. Você sempre veio. Você só não sabe ir. Você precisa aprender logo a ir, e eu tenho que aprender logo a ficar. Enquanto isso não acontece (a vida é uma eterna sucessão de enquantos), nunca mais perguntarei: "e aí, como você tá?" só pra aparentar adequação social. Não.
Por que você fez aquela mudança radical no visual? Isso tem algo a ver com uma mudança interna radical ou somente reflete a aceitação de qualquer coisa que mudou há muito? Minhas perguntas continuam impossíveis de serem respondidas? (e isso é uma sentença retórica pra disfarçar um "você ainda acredita que eu sou a única pessoa do mundo que te snooka, óh, gênio do bilhar?")... Mas me conta: você alguma vez na vida já se perguntou alguma coisa espontaneamente? Você tem alguma atividade extra a não ser SER? Você é tanto, e com tamanha destreza, que eu suponho que não. Aliás, não sei mesmo como você me considera tão boa repórter: eu pergunto e eu respondo, tipo o Faustão. Ainda não sei se quero sugestionar as pessoas com isso ou simplesmente as adivinho... Mas ah! já ia me esquecendo que a inquisição é a seu respeito.
O que você tem comido de gostoso? Você ainda come com aquela concentração de yôgue? Eu sim. Não perco nada, nada... Como você. E isso inclui os sucos, mas agora enjoei um pouco de suco de goiaba e tenho bebido muito suco de laranja... Laranja de verdade, sabe? Sem gelo e sem açúcar. Nham.
Bom, se você vier mesmo em casa, me ensina também a apenas ser? Promete? E você vai confessar logo que usa algum produto babadeiro pra ter essa pele absurda? Eu não conto a ninguém. Prometo!
Um beijo. Na sua testa, como sempre.
aterro literário
quarta-feira
Como vc ta?
Teclando, esses dias, percebi quão estúpida é essa pergunta.
Sei lá, eu tô gorda. Eu tô felicíssima e sofrendo muito (e essas coisas podem coexistir SIM). Eu tô meio dura até dia 01. Eu tô com sono... Pela manhã não estarei mais. Eu tô com uma regata cinza, jeans, bolsa amarela e chinelo... E você, como tá?
Que pretensão a das pessoas em querer saber como o outro está! Só um psicanalista DOS BONS poderiam fazer algum uso da resposta.
Estamos.
... E isso não basta?
Sei lá, eu tô gorda. Eu tô felicíssima e sofrendo muito (e essas coisas podem coexistir SIM). Eu tô meio dura até dia 01. Eu tô com sono... Pela manhã não estarei mais. Eu tô com uma regata cinza, jeans, bolsa amarela e chinelo... E você, como tá?
Que pretensão a das pessoas em querer saber como o outro está! Só um psicanalista DOS BONS poderiam fazer algum uso da resposta.
Estamos.
... E isso não basta?
quinta-feira
terça-feira
Sobre palmas das mãos
Tenho notado que tudo quanto não tento reter acaba perene. "Não reter" não é apenas deixar de atuar no sentido de reter; "não reter" é, também, não ambicioná-lo, e isso exige uma simplicidade mental que somente pessoas deveras complexas portam.
Acho engraçado que todo homem tenha as palmas das mãos mais claras que o resto do corpo... Será falta de virá-las para cima?
Lembro de ter visto, em uma viagem, a coisa mais linda do mundo inteiro: um campo de girassóis daqueles que a gente vê na tela e pensa que é impossível existir de verdade. Digo que existe e que em 3 dimensões a cena é infinitamente mais bela. Ao meio-dia eles olham para cima como que pedindo ao sol para existirem.
Observando girassóis, aprende-se muito sobre buscar satisfação e sobre entrega: seus caules se retorcem procurando luz com despreocupada devoção.
Chorei, certa da impossibilidade de guardar aquilo tudo na memória. Ocorreu-me que eu gostaria de acordar lá no post-mortem, embora não acredite nisso.
Guardei a imagem? Não, não guardei; era tudo muito vasto e, além disso, devo ter querido demais registrá-la... Sequer tive coragem de fotografar. Nenhuma foto faria jus àquela visão deslumbrante.
O que me resta sempre de experiências dessa ordem são quelóides dos quais me orgulho em contar a origem. Meu corpo é muito pequeno para tantas marcas, e minha alma não é muito maior. Deve ser por isso que sinto urgência em espalhá-las: relato sensações íntimas a qualquer passante da rua... E por que não?
Acho que tentando não retê-las, terei-as para sempre; deixo livres as palavras e elas me vêm em profusão, salvando-me de mim mesma quando me pergunto quem é a garota usando meu pijama... A facilidade em apontar o que temos, em contraste com a dificuldade em definir o que somos deve ter algo com isso.
Quanto aos girassóis e outros amores, ao menos pude plantar uma mudinha deles dentro de mim.
Acho engraçado que todo homem tenha as palmas das mãos mais claras que o resto do corpo... Será falta de virá-las para cima?
Lembro de ter visto, em uma viagem, a coisa mais linda do mundo inteiro: um campo de girassóis daqueles que a gente vê na tela e pensa que é impossível existir de verdade. Digo que existe e que em 3 dimensões a cena é infinitamente mais bela. Ao meio-dia eles olham para cima como que pedindo ao sol para existirem.
Observando girassóis, aprende-se muito sobre buscar satisfação e sobre entrega: seus caules se retorcem procurando luz com despreocupada devoção.
Chorei, certa da impossibilidade de guardar aquilo tudo na memória. Ocorreu-me que eu gostaria de acordar lá no post-mortem, embora não acredite nisso.
Guardei a imagem? Não, não guardei; era tudo muito vasto e, além disso, devo ter querido demais registrá-la... Sequer tive coragem de fotografar. Nenhuma foto faria jus àquela visão deslumbrante.
O que me resta sempre de experiências dessa ordem são quelóides dos quais me orgulho em contar a origem. Meu corpo é muito pequeno para tantas marcas, e minha alma não é muito maior. Deve ser por isso que sinto urgência em espalhá-las: relato sensações íntimas a qualquer passante da rua... E por que não?
Acho que tentando não retê-las, terei-as para sempre; deixo livres as palavras e elas me vêm em profusão, salvando-me de mim mesma quando me pergunto quem é a garota usando meu pijama... A facilidade em apontar o que temos, em contraste com a dificuldade em definir o que somos deve ter algo com isso.
Quanto aos girassóis e outros amores, ao menos pude plantar uma mudinha deles dentro de mim.
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