segunda-feira

Corpo insano, mente vã.

O médico tira o otoscópio da minha orelha e suspira longamente. Pelo olhar dele, nessa pequena trégua de palavras, prendo a respiração esperando um "é câncer!" ou então "lindinha, teu nome agora é Van Gogh! Enfermeira, traga o bisturi, álcool e uns panos!"
Mas foi assim:
- Tá BEM inflamado. É otite. Você tem que tomar antibiótico e, por agora, uma injeção.
- AIMEUDEUSDOUTOR! É a segunda em 2 meses! Minha audição vai ficar comprometida? E pode ser amoxilina? É que eu já tenho em casa... E o senhor não pode me medicar agora com qualquer coisa que seja administrada por via oral não? Não quero ficar com duas dores!

Desnecessário contar que quase fui catapultada do leito. Os médicos sempre me odeiam porque sou daquelas pessoas que acreditam em medicina por jurisprudência (baseada, claro, em fatos verídicos contados pela vizinha do outro lado da rua enquanto não chega o caminhão do gás).
Eu, por meu turno, sempre odeio os médicos por nunca me perguntarem a quantas anda o meu etéreo. Explico: toda vez que escuto um tipo específico de não, acabo tampando meus ouvidos sob disfarce de doença.
Se ele tivesse querido saber do meu querido, nem precisava de exame.

2 comentários:

Raphael Lima disse...

agora esculacho!sem cobrança. mas por bonança. lembre-se dos teus amados que te acompanharam nessa via sacra engraçada e doída.

Raphael Lima disse...

por que preferimos as coisas impossíveis, a imortalidade, o amor infindo, as delícias imensuráveis dos corpos ao tato, os sorrisos e os abraços que se desfazem no ar do mundo? as alimentamos com tantos nutrientes bunitus luzidius que sempre há no coração uma fé na alegria absoluta viva e manifesta em um relacionamento. daí temos momentos bons e ruins enquanto o nosso mundo vai rolando pelo escuro e claro espaço entre as estrelas do infinito.
é foda.
literalmente.
é isso.
É!
amemos e foda-se.