sexta-feira

Promessa de poesia do umbigo... Cumprida.

O espírito de cada qual...
Tão padronizado e tão diverso!
As rotas têm fim em si
E, no entanto,
Todos se crêem
Umbigo do Universo

-Por aqui, Sr. Dr. Umbigo! Vamos sentando...
Bebe um cálice da minha miséria
Belisca um pouco da minha dor... Estás com calor?
Ventilo um pouco da minha angústia. Assim está bom?
Não te faças de rogado: aqui estás em casa.
Podes distrair-te brincando com as cinzas do amor na lareira
Vais ouvir-me balbuciar derradeiras injúrias
Enquanto repousas apreciando a paisagem dantesca

Como pareço? Está do teu agrado?
Caprichei nas olheiras
No choro rasgado
No grito exasperado
Na fragilidade do corpo...
[Para que ele desfaleça
Basta-te apenas um sopro]

Pintei a face de lágrimas
Com cores dos dias de janeiro
Me inspirei na música que cantavas - que ironia! -
Num certo fevereiro
Não te lembras, Sr. Umbigo?
Foi naquele carnaval... O primeiro.

Besuntei de lamúrias os lábios
Tão somente pra te servir
E o peito abundante de esperanças
Aberto, arfando, suplicando
Pela não-negação de um porvir

Sei que gostas de fingir-me apreço,
De fazer cerimônias ao que ofereço
Mas te fartas, e é flagrante
Porque vens e voltas saltitante
A cada visita em que lhe sirvo um rompante

Espero que te tenhas aprazido
Com esta que foi tua última ocasião notória
Pois hoje tu és o Sr. Dr. Espírito Umbigo
Amanhã és assombração... Virou história



"Talvez não seja o certo (...)"

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