Parei de escrever por um tempo sob o motivo de aprender a SER. Tenho tentado colocar de mim em máxima medida nos olhos, nas palavras, na respiração, na transpiração, no ato de ouvir o outro... E menos no papel.
Pareceu-me repentinamente que tudo o que eu escrevia era vida tomada, coisa que eu tinha deixado de fazer em nome do devaneio: o devaneio é tentador. Tudo posso no devaneio.
Mas aconteceu o ontem... E o que não pude SER nessa ocasião, despejo aqui na forma de um devaneio. Acho engraçado que a coisa que a gente se preparou pra que acontecesse, dia após dia, ao longo de tantos meses, aconteça tão abrupta e tão indolor, num dia em que já se tinha abandonado qualquer tipo de preparação.
Eu hoje fiquei sabendo que ontem já não tinha um amor, e como dou por certo um vazio amanhã, deixo aqui, ainda, como notas mentais ou botes salva-vidas, dois fragmentos de Lispector pra ter onde me agarrar enquanto estiver à deriva.
"Tudo acaba mas o que te escrevo continua. O que é bom, muito bom; o melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas"
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais"
aterro literário
sábado
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