Diriam que acordei com um nó na garganta. Não. Estou o próprio fio tensionado de um nó; um daqueles que a gente desiste de desatar.
O céu não está cinza, os carros continuam a fazer a trilha de fundo do meu dia, as crianças ainda brincam na orla de tantos, tantos mares... Em algum lugar de mim mesma, brinco também à beira-mar.
O que me faz falta é a comunhão entre corpo e espírito. Eles andam irremediavelmente às turras e isso já faz muito tempo. Cada um segurando uma ponta do fio, o que só presta mesmo para apertar o nó, já que caminham em direções opostas. O que fica no meio é o que chamo, por falta de opção, 'eu'. Tudo o que tenho são parcas pistas: um nome, um rosto no espelho, uma árvore genealógica, um cheiro, uma voz rouca, manias conhecidas, deveres a cumprir, uma pequena sombra envolta por neblina de sonhos multicores... E nada disso me pertence, que até pra ter uma sombra, dependo do sol, e pra ter uma voz, dependo de um ar que vibre, e até para enlouquecer, preciso de um devaneio que me leve embora à galope.
aterro literário
terça-feira
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Um comentário:
boa!
tu manda bem
continue que o mar hora dessas se abre pra ti
continue
teus textos me arrepiaram
este dois ultimos do caralho
ou da buceta
muito bons
luz e sombra coexistindo em grandezas viscerais
essa foi minha viagem
te lendo
me revi
beijo lu i za
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