segunda-feira

Tudo sobre a chuva

A chave virando na porta
A disritmia do coração
O barulho que faz o silêncio
A minúscula sombra dos passos
...E a chuva lambendo meus cadarços...

Adeuses suspensos no ar
Aquela pergunta que aniquila
Ela não cansa de me espreitar
A resposta? Claro, eu sabia
Mas cala-te, certeza adivinha!
...E a chuva entortando minha sombrinha...

Deslizo entre flores pisadas do passeio
Presságios em tom carmim
Do nunca que eu queria sim
Cenário de tela impressionista,
Filme inteiro em um quadro!
...E a chuva apagando meu cigarro...

Aos domingos tudo é espera
Tudo é suspense, tempo suspenso
A reza, a rua, o riso, a rosa
Elementos incautos de inocência duvidosa
As mães, os filhos, as mãos, os braços dados
...E a chuva banhando os passantes apressados...

A música nos fones, lembrança de outros antes
Volta sem ida à dimensões já distantes
Espasmos, surpresas, saudades, abraços
Velhos conhecidos... Novos anônimos!
...E a chuva enfeitando a janela do ônibus...

Me dispo de mim
Não há mais disfarce
Não há mais entrave
Não há mais escape
...E a chuva inundando toda a cidade...

Desço e contemplo o céu cinzento
Olhares se cruzam e se voltam pro chão
Meus sentidos aturdidos

De hoje não passa: eu digo!...

E... olha! A chuva não alcança o avião

(Continua... um dia.)

Nenhum comentário: